Um almoço de gerações

“Pronto, lá vem este outra vez falar da Tourada dos Estudantes…nunca mais cresce”, terá já dito um leitor de má língua, ainda antes de ler o texto. E é isso mesmo, respondo-lhe a sorrir. Possivelmente – ralis à parte – o tema sobre o qual mais escrevi por motivação pessoal: a tradicional Garraiada do Domingo Gordo e o seu espalhafatoso cortejo, hoje devido a um almoço de gerações…e que bom que foi.

A verdade é que a dita refeição selou o repto lançado há um ano de juntar o máximo possível de elementos de antigas comissões organizadoras – as famigeradas COTE…e estamos a falar desde a década de 60 até hoje - do vetusto evento do Rei Momo, que na nossa terra pôs os “profissionais do estudo” a cruzar as graças do Carnaval com o gosto pela Festa Brava.

A coisa correu tão bem, que ficou combinado repetir o repasto – e isso aconteceu com o grupo que a imagem mostra -, novamente numa saudável mescla de juventude, meia-idade e muita veterania nesta coisa de viver e de rir. Porque esse é o outro traço comum de toda aquela gente…passar bons momentos a recordar o que avós, pais, filhos e netos já escreveram na história da Tourada dos Estudantes.

Para quem manteve sempre distanciamento do quase-centenário certame não será, de facto, fácil entender a mística que o mesmo encerra. Que perdura pelas décadas, com altos e baixos nos seus sucessos, mas sempre mantendo viva a chama que atravessou regimes e crises, que criou brincadeiras e pantominas à conta dos mesmos, que fomentou memórias e que ainda hoje sobrevive pelas letras e pelas imagens.

E assim se criou mais uma imagem para essa longa sucessão de episódios, uns já meio esquecidos, outros sempre lembrados e recontados, e outros a que os tempos terão acrescentado algum tempero, mas que fazem já parte dos anais da Garraiada. Sem trocadilhos nem emendas.

E a próxima está aí à porta, refeita de anos de tremedeira e pouca adesão, com novos contornos e velhas graças, com um tronco comum que quer regressar às origens, saudando-se o regresso de um cavaleiro amador ao cartel dos nossos humores. Mais os cómicos, os forcados, os peões de brega e os pastores.

Já está decidido que, depois da Exposição de 2025, se vai trabalhar num livro que retrate para sempre o que já foi a Tourada dos Estudantes. Precisamente para responsabilizar – no significado mais meigo que a palavra possa ter – as gerações de amanhã a manter esta animação sem data. E que se quer sem fim.

Este ano são o Tomás, o Raúl, o João e o Henrique a tomar conta do festim. Para o ano serão outros…e haverá novos almoços, saudades e olhos brilhantes. Porque fazer por gosto até cansa…mas consola, como se diz por cá. (que) Viva a Tourada dos Estudantes! 




 

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