E lá se foi a esperança lusa…

 

Ainda mal tinha terminado o Portugal-Espanha da passada segunda-feira e adivinhei logo que iriam cair o carmo, a trindade e todas as demais alusões e figuras de estilo em cima de Cristiano Ronaldo e de Roberto Martínez, afinal as figuras mais atacadas da comitiva portuguesa no ainda-em-curso Mundial de Futebol dos Estados Unidos, Canadá e México.

A verdade é que o jogo decisivo podia ter dado para os dois lados...mas deu para Espanha. Na prática, faltaram atitude e engenho, em largos minutos, à seleção de todos nós. Assim mesmo, que bom seria se Portugal se elevasse ao nível daqueles jogadores noutras áreas, e até na seriedade.

Nenhum deles, tal como os adeptos, queria perder um jogo que fosse. Mas o desporto é assim, uns ganham e outros perdem. Na passada segunda-feira perdeu Portugal. Paciência! E estaria tudo dito, pelo menos assim pensei, após o duelo ibérico decidido pelo golo de Mikel Merino. Faltou apenas partilhar mais duas ou três ideias.

Portugal viajou para as Américas com o estatuto de favorito, de seleção muito temida, uma realidade assente no enorme potencial do seu plantel, infelizmente poucas vezes confirmado em jogo jogado durante o reinado de Martínez. Há um claro sabor amargo pelas oportunidades desperdiçadas. Mesmo se isto da bola devia valer apenas o que (realmente) vale…

Outra das questões, na sequência da anterior, teve a ver com a quebra de forma de alguns jogadores-chave do xadrez lusitano, muitos deles autores de épocas fabulosas nos seus clubes. No Mundial da hidratação, e mesmo sem telefonemas de Trump para travar Vitinha ou amarrar as mãos a Diogo Costa – que, sim, foi o nosso melhor ativo -, vimos gente abaixo da bitola habitual…mas também ninguém colocou outros no seu lugar…  

A esse suposto desgaste juntou-se uma filosofia disfuncional por parte do selecionador nacional, que ainda por cima disse que ia abandonar o barco com este ainda em viagem, o que não será digno de um verdadeiro comandante. Martínez nunca conseguiu criar um fio de jogo uno e coerente, escondendo sempre a tática real quando – e isto sou eu que acho -, afinal, pareceu nem ter nenhuma…

Diz-se dos grandes líderes que também devem ser maleáveis, conquistando assim simpatias e confiança, pois o bom do Roberto aí só se ficou pela educação e um certo cavalheirismo. Que se agradece, mas faltou mais, muito mais.

E depois há a questão Ronaldo, o astro-mor de Portugal nas últimas duas décadas, o mais fabuloso jogador que o nosso país viu crescer, o homem dos recordes e exemplo de superação. Que ou pecou por não reconhecer que devia dividir a frente da equipa com outro avançado – e aí só Gonçalo Ramos preencheria o requisito -, ou então foi cúmplice do “mister” espanhol, que lhe alongou a titularidade para lá do razoável.

Diz-se que Jorge Jesus já estará à espera do telefonema para ser o próximo selecionador nacional. Em mais um caso para os portugueses – especialmente a centena e meia de comentadores desportivos que por aí existe – seguirem com paixão. E depois “hadem” ver se é verdade ou não!




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